A ESCOLA COMO ESPAÇO DE EXCLUSÃO

Lara de Oliveira Gomes, Gabriela Silveira Meireles

Resumo


Objetivo geral: O presente trabalho busca analisar se a escola, em seu funcionamento, em sua estrutura, em seus mecanismos de ensino-aprendizagem e avaliação se apresenta como espaço de exclusão. Pretende compreender historicamente o processo de exclusão e contribuir para a construção de uma educação mais humana e que respeite os indivíduos em suas diferenças. Metodologia: A pesquisa foi exploratória e descritiva, baseando-se na revisão bibliográfica. Discussão: A escola cumpre uma função de grande relevância para a sociedade como um todo. Entretanto, no que se refere ao seu espaço físico, este é caracterizado do mesmo modo que se apresentava nos séculos XVIII e XIX. De lá para cá ocorreram significativas mudanças, através das inovações tecnológicas e do surgimento da internet, porém esta instituição se encontra distante da realidade contemporânea, na medida em que as próprias crianças são vistas fora do contexto ao qual pertencem. Os professores estão mais preocupados em transmitir todo o conteúdo, para que seus alunos obtenham bons resultados nos vestibulares ou em encaminhá-los, para que recebam o diagnóstico de algum transtorno. Na escola, em geral, não há espaço para os afetos, para o corpo e nem mesmo para o pensamento e a reflexão. Resultados: É possível afirmar que as questões mais pertinentes no contexto escolar e as dificuldades que nele se apresentam estão de alguma maneira relacionadas à exclusão. Casos como do aluno que matou dois colegas dentro de uma escola em Goiânia, tendo como justificativa o bullying que sofria, o aumento do número de suicídio entre jovens em idade escolar ou a própria violência cotidiana, a dificuldade de aprendizagem e a evasão escolar apontam para a necessidade de mudança e de um olhar crítico sobre a dinamicidade que a escola engloba e os desafios que enfrenta.


Palavras-chave


Educação. Escola. Ensino-aprendizagem. Exclusão.

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